Enquanto os peões tombam, o rei segue intocado. O homem que pressionou pessoalmente a diretoria do BRB por uma saída para o Banco Master, cujas mensagens estão nos autos da investigação da Polícia Federal — permanece livre, pré-candidato ao Senado, movimentando a política do Distrito Federal como se nada houvesse acontecido. Sua frase registrada no celular, de que não iria "suportar o desgaste", resume bem a prioridade que orientava suas decisões: não o interesse público, mas o cálculo político.
A pergunta que o brasiliense faz, com razão crescente, é direta e inadiável: quando Ibaneis Rocha vai deixar de ser blindado por setores da Justiça brasileira?
As evidências que orbitam o ex-governador não são poucas nem frágeis. Mensagens suas pressionando o então presidente do BRB estão sob análise da PF. O escritório de advocacia que carrega seu nome celebrou contratos milionários com fundos ligados à Reag e ao próprio Master, justamente enquanto as negociações ocorriam. Michel Temer, articulador declarado da operação, confirmou reunião pessoal com Ibaneis para discutir a compra. O próprio ex-presidente do BRB declarou à PF ter reportado as tratativas diretamente ao então governador.
É muita coincidência para ser coincidência.
O brasiliense aguarda, com justa indignação e alguma esperança, que a Justiça alcance o principal responsável pelo colapso financeiro do BRB, e os demais políticos de Brasília que orbitaram esse esquema nas sombras. Porque enquanto peixes menores são fisgados semana após semana, o maior deles segue nadando em liberdade, acenando para votos.
A blindagem tem prazo de validade. Ou deveria ter.

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