quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A última de Tom Capri

Sou fã de Tom Capri. Ambos amamos o Coritiba e a democracia. Leia com atenção essa bela coluna de um dos maiores jornalistas do Brasil.





Dilma, cuidado


com o atentado. E


com o golpe de estado.








Não deixe de ler os dois "alertas" que fazem, hoje no Estadão, Luis Fernando Verissimo e Eugênio Bucci.








Por Tom Capri





Atenção, Presidenta: cuidado com o atentado e também com o golpe de estado. Se não chover, você deve desfilar em carro aberto depois de amanhã (1º/1), antes da posse. O Rolls-Royce presidencial sairá da Catedral de Brasília às 14h e seguirá para o Congresso, onde você será empossada com o vice eleito, Michel Temer. No trajeto, tudo pode acontecer. Cuidado nessa hora. Muita gente está de olho em você. E não é só no dia da posse: a possibilidade de atentado, e também a de golpe de estado, perseguirá você até seu último dia na presidência. Isto se você conseguir tomar posse. Está muito fácil surgir do nada um psicopata apartidário à la Mark Chapman (aquele que matou John Lennon), para acabar com sua vida e depois ser linchado pela plebe ignara como o único culpado de tudo.





Não esqueça que duas grandes tribos brasileiras ainda aí estão, em vantagem numérica, conservando incontida vontade de acabar com você. A mais feroz delas é a dos araebudis, composta pela ala rasa e burra da direita. É integrada pela maioria esmagadora da direita brasileira (mais de 99% dela). Os caciques desta tribo emanam do capital nacional, que tem como maior representante a "grande mídia oficial" (da Veja e Globo ao Estadão e Folha), bem como a classe média média e alta, principalmente a que vive nas regiões Sul e Sudeste. Ela está sempre pronta a dar o bote.





Outra tribo igualmente feroz é a dos araebues, a ala rasa e burra da esquerda, integrada pela maioria esmagadora da esquerda brasileira (mais de 99% dela). Os caciques desta tribo são os partidos da base aliada (que se acham da esquerda autêntica, mas não são) e, principalmente, os partidos de oposição, que também se consideram de esquerda, mas não são, notadamente o mais social-democrata deles, o PSDB.





Essas duas tribos não medirão esforços para acabar com você. Daí ser fácil prever que, se conseguir tomar posse, você vai ter muitas dificuldades para governar. Não poderá dar nenhum passo em falso porque lá estarão as duas tribos fazendo qualquer negócio para proteger e defender as farsas do estado de direito e da democracia, sem ter consciência de que tanto um quanto outro não passam de engodo.





É sabido, as duas tribos são as primeiras a romper com o estado de direito e a democracia, quando algo não lhes convém. E não convém aos araebudis e araebues ter Dilma na presidência ou mantê-la na presidência, o que não é novidade para ninguém. Portanto, não subestime os anseios dessa gente, Presidenta.





As duas tribos têm um alto e um baixo comissariado, no melhor estilo da extinta União Soviética. Todos defendem com unhas e dentes a liberdade de expressão, sem se dar conta de que são comissários do capital e de que defendem, na verdade, a liberdade de expressão, não a autêntica, mas a de que tanto necessita o capital para se conservar. Não sabem que liberdade de expressão de fato não existe em nenhum lugar do Planeta.





Os comissários de maior expressão do capital (do alto comissariado) estão na Globo, SBT, Record e Band, e também nas páginas de Veja, Folha, O Globo e Estadão, principalmente na célebre página 2 deste último, hoje infestada de araebudis. Entre eles, figuram jornalistas e articulistas de renome, de Diogo Mainardi e Arnaldo Jabor a Millôr Fernandes. Já no baixo comissariado estão os mais despreparados e pseudoilustrados, como Daniel Piza, que, entre estes, é a figura de maior expressão.





            Dois artigos publicados no Estadão de hoje (30/12) servem como alerta e nos dão a exata dimensão dessa ameaça que paira sobre Dilma. Mestre Luis Fernando Verissimo, no Caderno 2, página D2, sob o título "A volta do MH (Marciano Hipotético)", deixa claro que Lula só não foi deposto nem sofreu atentado porque jamais deu passo em falso. O que tanto se temia, quando de sua primeira eleição --- estatização, socialismo por decreto, transformação do País numa Grande Cuba ---, não ocorreu e aí está Lula, ainda vivo.





            Já o jornalista e professor da ECA-USP, Eugênio Bucci, outro do alto comissariado do capital, nos brinda (no Espaço Aberto do Estadão de hoje, 30/12, página A2 do primeiro caderno) com mais uma denúncia: a de que Lula, além de tudo, pulverizou toda a propaganda estatal em mais de 8 mil veículos do País, incluindo os de pequeno e médio porte. E que isto absolutamente não consistiu na democratização da publicidade oficial, como se propalou.





Pelo contrário, apenas acabou concorrendo, segundo Bucci, para a expansão e agravamento das "relações promíscuas" entre Estado e mídia, ou seja, para acirrar os ânimos da grande mídia e dos comissários do capital, os maiores interessados nas verbas da propaganda estatal. Bucci ainda "não percebeu" que nossa grande mídia não fez outra coisa, nos últimos oito anos, senão política partidária de oposição a Lula e a Dilma, o que é inconstitucional, e que gozou de total liberdade para tanto.





            Reforçando o alerta, Presidenta: na história do País, araebudis e araebues já passaram inúmeras vezes por cima do estado de direito e da democracia, na defesa de seus interesses. Lembra de 64? Para deter a "ameaça comunista", chamaram os militares para o golpe de estado e nos impuseram mais de vinte anos de ditadura.





Não se esqueça de que a mídia, essa mesma que hoje faz obsessivamente política partidária de oposição a Lula e a você até nos obituários, foi decisiva no Golpe Militar. Esteve no pelotão de frente. Até o dia em que a ditadura militar voltou-se contra nossa própria mídia e esta se viu obrigada a lutar para acabar com a cobra que ajudara a criar.





            Você, Presidenta, ajudou a matar essa cobra, só que no momento mais errado. Empunhou armas para acabar com a ditadura militar justamente no momento em que o capital e toda a nossa mídia mais precisavam dela. Muito cedo, Presidenta. Nunca se esqueça disto. Nem de que, por essa razão, você continua inimiga. E, aos inimigos, o atentado ou o golpe de estado, quando insistem em chegar ao poder. Abraços a todos. 

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