Romário é rei, Romário é o máximo
“Dribla,seduz,entorta
de prazer
Príncipe de Eindhover, Barcelona
Barreira do Vasco
Romário em campo é um Bolaço “
Pronunciamento de Romário na Câmara Federal
Senhor
Presidente e prezados colegas parlamentares:
Não
era meu propósito voltar ao assunto nesta semana, mas um novo áudio que está
nas redes sociais me motivou vir a esta tribuna para insistir na necessidade
urgente de darmos novo rumo à direção geral do nosso futebol profissional.
Nos
meus dois últimos discursos, trouxe fartas informações sobre a suspeita gestão
do presidente da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin, que
também preside o Comitê Organizador da Copa do Mundo 2014.
Naqueles
pronunciamentos, também insisti no vínculo político do Senhor Marin com regime
militar, quando ele era filiado à ARENA, partido de sustentação da ditadura.
Já
me referi ao milionário faturamento da CBF em nome da Seleção Brasileira, sem
que saibamos o destino do dinheiro faturado em nome de uma instituição que
explora os símbolos nacionais, como nossa Bandeira e o Hino.
As
suspeitas de irregularidades não se esgotam no Senhor Marin, mas se estendem à
diretoria, em especial ao vice-presidente da CBF, Marco Paulo del Nero.
Faço
mais esta manifestação, avançando nos graves problemas que envolvem a CBF e,
por extensão, o Comitê Organizador da Copa 2014, por dever de ofício e por
obrigação política, assim como seguindo os princípios de idoneidade defendidos por
meu partido, o PSB.
Começo
esta manifestação citando o cronista Juca Kfouri, em seu blog.
(abre
aspas)
“José
Maria Marin tem sua vida ligada àqueles que sustentaram a ditadura brasileira.
Fez discursos publicamente em favor do assassino, sequestrador e torturador
Sérgio Fleury. Apoiou os movimentos que levaram a tortura, morte e
desaparecimento de centenas de brasileiros. O caso mais notório é do jornalista
Vladimir Herzog.” (fecha aspas)
E
conclui o jornalista Kfouri, numa manifestação que, com licença, assino
embaixo:
(Abre
aspas)
“Ora,
se a Justiça não consegue processar estas pessoas, como Marin, por conta de uma
lei de Anistia torta, não podemos permitir que Marin viva a glória de estar à
frente do maior evento mundial da nossa história – a Copa do Mundo”.
No
início deste discurso, disse que vinha à esta tribuna motivado pelas revelações
de um novo áudio, que circula nas redes sociais.
O
áudio ao qual me refiro é de nova gravação atribuída ao Senhor Marin, enviando
mensagem a interlocutores.
Surpreendente,
caros colegas parlamentares, mas num linguajar típico de gangsters, ele ameaça
dois empresários.
E
determina que nunca mencionem o nome dele, José Maria Marin, em negócios que
parecem muito suspeitos diante do sigilo que exige de todos.
Os
dois empresários em questão são, segundo a gravação, os irmãos Balsimelli,
donos da BWA, empresa que, também segundo o mesmo áudio, controlam negócios na
maioria dos estádios brasileiros.
A
eles, os irmãos Balsimelli, José Maria Marin determina – ou implora – para que
seu nome nunca seja citado, sob pena de estarem expondo o esquema no qual todos
estão envolvidos, entre eles, claro, o próprio Marin e, por extensão, seu
vice-presidente, Marco Polo del Nero.
Nesse
áudio ao qual me refiro, José Maria Marin também faz clara citação do
envolvimento de Marco Paulo del Nero, seu vice-presidente na CBF.
Ou
seja, coloca no mesmo saco – com, perdão da expressão – o seu substituto
imediato na Confederação Brasileira de Futebol.
Observe
bem, Senhor Presidente e caros parlamentares:
Estamos
em plena campanha para renovação que se inclua moralidade e credibilidade na
diretoria da entidade maior do nosso futebol e, no entanto, o nome que
legalmente substitui o presidente, no caso o senhor Del Nero, também é suspeito
de envolvimento em falcatruas e negócios nebulosos, que vêm de longa data.
Na
verdade, caros Colegas deputados, essa revelação não chega a ser novidade, mas
reforça as suspeitas de negociatas nos bastidores do nosso futebol.
Os
Senhores devem estar lembrados que em 26 de novembro do ano passado, o senhor
Marco Polo del Nero, esse mesmo, presidente da Federação Paulista e
vice-presidente da CBF, foi preso pela Polícia Federal.
Na
mesma operação, os policiais apreenderam documentos, arquivos e computadores de
Del Nero para investigar denúncias de venda de informações sigilosas e prática
de crimes contra o sistema financeiro.
Seria
oportuno que a Justiça revelasse o teor das investigações que levaram à
detenção não um larápio de rua, mas a segunda autoridade na hierarquia do nosso
futebol.
Imaginem
a vergonha que estamos expostos mundo afora!
Diante
desses fatos, observem quem dirige este riquíssimo patrimônio esportivo, o qual
tive a honra de representar.
Agora,
o mais grave, Senhor Presidente e Senhores Deputados.
O
áudio que está na rede e é atribuído ao Senhor José Maria Marin inclui, além
dos irmãos Balsimelli, nome de parlamentar desta Casa.
Marin
afirma que com tal parlamentar, apoiado por Del Nero, (abre aspas) “estão
dominando o Congresso. Eles estão fazendo a lei!” (fecha aspas)
O
que significa essa afirmação?
Que
“lei” é essa?
A
“lei” geral da Copa que atende a interesses promíscuos do Comitê Organizador da
Copa, do qual Marin também é presidente?
Ou
é uma nova lei que está sendo preparada em surdina nos bastidores da Casa?
Devemos
conviver com essas dúvidas ou investigar?
Precisamos
saber, Senhor Presidente, se nossas ações estão sendo manipuladas por
quadrilhas externas com influência no Legislativo.
Custo
crer nesta manifestação envolvendo o Parlamento, pois vem de quem não tem
credibilidade pública nem idoneidade para tal acusação, no caso o Senhor Marin.
Mas
trata-se de uma citação que nos coloca em alerta e sugere reação imediata.
Por
isso estou aqui!
Observem
a ousadia ameaçadora desses senhores.
Eles
não têm pudor em afirmar que por suas ações dominam esta Casa Legislativa!
Marin
fala com seu interlocutor de tal forma autoritário que nos coloca de joelhos
diante da corja que ele lidera e, lamentavelmente, controla o nosso futebol.
E
que reação tomar diante dessa ameaça que agride frontalmente a principal
instituição da democracia brasileira, que é o nosso Congresso Nacional?
Observe
bem, Senhor Presidente:
Vinte
e cinco anos depois de sancionada a nova Constituição Federal, símbolo maior da
redemocratização brasileira, um sujeito que foi servil à ditadura, continua se
manifestando como nos tempos em que esta Casa foi fechada pelo regime militar.
Marin
continua menosprezando o Congresso Nacional, pois diz claramente que há um
“domínio” sobre esta Casa que juramos respeitar.
Hà
poucos dias, o Senhor Marin tentou, numa manifestação desastrada na página
principal da CBF, na internet, limpar sua imagem desvinculando-a da intimidade
que teve com o regime militar.
Não
conseguiu.
Agora,
com este áudio em que afronta o Legislativo, ele reforça aquela submissão e
demonstra continuar se comportando como no seu tempo de político biônico, volta
aos idos da ditadura militar, ignorando o regime democrático que felizmente
convivemos.
E
o que fazer diante dessa agressão antipatriótica vindo de quem tem liderança
sobre o nosso maior patrimônio esportivo, a Seleção Brasileira?
Apelo
à Mesa da Câmara dos Deputados para que fique atenta a esses fatos. Diante do
poder desta instituição democrática não podemos ficar passivos às ameaças.
Sem
reação imediata, estaremos concordando com a quadrilha e desmoralizando por vez
os nossos mandatos e a instituição que nos orgulhamos pertencer.
Não
podemos nos acovardar!!!
Bem
sei, Senhor Presidente, que não compete ao governo federal intervir na
Confederação Brasileira de Futebol, uma instituição privada, apesar de
beneficiada por isenções fiscais.
Mas
é com esse presidente que aí está que a Presidenta Dilma Roussef se relacionará
por ocasião da Copa das Confederações e Copa do Mundo.
Interessa
ao Brasil passar essa imagem de relações institucionais promíscuas entre o
Poder Executivo e uma quadrilha de negociatas que diz dominar o Congresso?
Assim,
diante desse panorama só resta apelar para que a poderosa Federação
Internacional de Futebol intervenha no Comitê Organizador da Copa 2014.
Estamos
lidando com pessoas que estão explorando a imagem institucional do país através
de uma das mais preciosas marcas do país, que é o nosso futebol.
Por
isso, Senhor Presidente, precisamos reagir logo.
Quem
sabe o Ministério Público e a Polícia Federal comecem a investigar os áudios
disponíveis, suas origens e pessoas envolvidas.
Senhor
Presidente:
Este
panorama que acabo de narrar expõe uma parte dos bastidores suspeitos da gestão
do nosso futebol.
Até
aqui, eu abordava sobre os patrocínios recebidos pela CBF em nome da Seleção
Brasileira.
Até
aqui, eu vinculava o presidente da CBF, José Maria Marin, como o substituto de
outro nome suspeito de nosso futebol, Ricardo Teixeira, envolvido em denúncias
de evasões de divisas, de sonegação fiscal, enfim.
Mas
agora, temos uma suspeita maior, capaz de vincular o senhor Marin à intimidade
da Câmara dos Deputados a ponto de afirmar que há um domínio até na execução de
leis.
O
que mais nos falta, Senhor Presidente, para que a CPI da CBF que protocolei no
final do ano passado seja aprovada por Vossa Excelência?
Os
fatos estão aí, fartos como demonstrei, que sugerem a instauração imediata da
CPI, a fim de que tenhamos clareza, transparência nas ações da instituição
maior do nosso futebol e, PRINCIPALMENTE, até que ponto a Câmara dos Deputados
está sendo manipulada por essa quadrilha.
Esses
fatos ganharam o noticiário internacional e, claro, repercutiram no Palácio do
Planalto, a ponto de, numa medida oportuna, afastarem a Presidenta Dilma de
possíveis encontros com o Senhor Marin ou quem quer que seja da CBF e do Comitê
Organizador da Copa.
Hoje
mesmo, o jornal “Valor Econômico”, traz nova versão sobre essas relações.
Reportagem
de Caio Junqueira, afirma que (abre aspas)
“Existe
uma ampla movimentação que envolve integrantes da própria CBF e da FIFA e com
respaldo do governo brasileiro caminha para fazer com que o presidente da
entidade, José Maria Marin deixe o cargo antes do previsto e não seja seu
dirigente durante a Copa” (fecha aspas)
Diz
mais o repórter:
(Abre
aspas)
“O
presidente da FIFA , Joseph Blatter, e o secretário geral, Jeròme Valcke,
puxaram a discussão com o ministro do Esporte, Aldo Rebelo” – em sua recente
reunião em Zurique.
“O
sinal foi claro: estão desconfortáveis com sucessivos constrangimentos de Marin
na presidência da CBF e do seu papel na organização da Copa”.
Observe,
Senhor Presidente, que as denúncias de falcatruas e envolvimentos suspeitos da
dupla Marin e Del Nero, já incomodam as autoridades da maior entidade do
futebol mundial, a FIFA.
Ou
seja, se aqui no Brasil o Palácio do Planalto e o próprio ministro do Esporte,
Aldo Rebelo, fecham as portas e o diálogo com o Comitê Organizador da Copa,
como Marin e Del Nero podem se sustentar em seus cargos se o evento de 2014
está sendo realizado em parceria com o Governo brasileiro?
Não
há mais dúvidas de que o Senhor Marin e seu vice Del Nero já causam
instabilidades nos organismos maiores e parceiros dessa empreitada, no caso o
governo da Presidenta Dilma e a poderosa FIFA.
Portanto,
esta Casa precisa se posicionar, pois de muito conhece sobre essas
irregularidades, pois meus discursos são sucessivos demonstrando os riscos aos
quais a estrutura do futebol e, por extensão, o Governo Federal estão expostos
ao se aliarem a gestores tão nefastos para o nosso esporte.
Era
o que tinha a dizer e apelar, mais uma vez, à oportunidade de instalação
imediata da CPI da CBF.

Nenhum comentário:
Postar um comentário