sexta-feira, 20 de maio de 2016

Grande Roberto Pepino


Vladimir Safatli, hoje, na Folha. Na primeira metade do artigo, que transcrevo aqui, o resumo da Ópera Bufa.
"Sete citados na Operação Lava Jato viram ministro e ganham foro privilegiado", "Novo ministro dos Transportes é suspeito de desvio de verba de merenda escolar", "Itamaraty fornece passaporte diplomático a pastor citado na Lava Jato", "Brasil tem pela primeira vez presidente acusado de ser ficha suja", "Gilmar Mendes [quem mais?] reenvia processo contra Aécio Neves à Procuradoria-Geral da República em menos de 24 horas", "Novo líder do governo na Câmara é acusado de homicídio".
Digamos que todo o processo de "impeachment" de Dilma Rousseff tivesse sido, de fato, impulsionado pela indignação popular contra a corrupção sistêmica no governo.
Se este fosse realmente o caso, teríamos, neste exato momento, um barulho ensurdecedor de panelas, milhares de pessoas iradas vestindo verde e amarelo nas ruas e a imprensa em coro pedindo a destituição do presidente interino e seu governo postiço de corruptos. Uma semana bastou para mostrar ao mundo o grau zero de comprometimento contra a corrupção da oligarquia que tomou de assalto o poder.
Mas não, meus amigos, vocês não estão ouvindo panelas, nem vendo seu vizinho urrar impropérios contra o governo, nem o senhor Sérgio Moro continua no noticiário com sua pretensa caça implacável e destemida contra usurpadores do bem comum.
Não há nada no horizonte das famílias que tiravam selfies com a Polícia Militar que indique um desejo incontido de gritar "agora, é fora Temer".
Na verdade, agora é "ordem e progresso", ou se quiserem uma versão mais honesta do lema positivista, agora é "repressão e espoliação direta", com direito a ministros falando sobre o fim da universalidade do SUS, cortes na construção de 11 mil casas populares e preparação da população para mais uma reforma previdenciária com limitação de direitos trabalhistas. Em outras palavras, a violência de sempre.