sábado, 11 de novembro de 2017

Um cafezinho com TomCardoso

Outro dia fui na redação da revista TRIP conversar sobre um trabalho e encontrei várias amigas jornalistas. Toda vez que eu tenho alguma reunião na TRIP eu quebro o protocolo e tomo banho antes. O Paulo Lima, como se sabe, é o mais impudico publisher do Brasil, o cara que consegue transformar uma redação num harém e ainda convencer boa parte das funcionárias, da recepcionista à mocinha da limpeza, a tirar a roupa nas edições comemorativas. Um gênio. 
   Mas não estou aqui para falar dos revolucionários métodos corporativos do Paulo Lima e sim de uma tese que desenvolvi a partir dessa minha visita à TRIP. Eu percebi que na mesinha do café, no lugar do tradicional bule, havia uma máquina Nespresso. Fui logo procurando uma cápsula, mas minha amiga me alertou:
– Tom, cada um traz a sua cápsula de casa. Coloca na máquina e toma.
   Eu perguntei para essa minha amiga qual era a cápsula de café Nespresso que ela costumava comprar e ela respondeu: "Kazaar". Nessa hora entrou uma outra funcionária, também muito minha amiga, de sainha e camiseta do Acadêmicos do Baixo Augusta. Uma belezura. Padrão TRIP. Também estava com sua cápsula. Cor madeira. Perguntei qual era o nome e ela: "Bukeela ka Ethiopia Lungo".
   Na época dos meus pais as mulheres descoladas e de esquerda não raspavam nem o sovaco. Agora tomam café Bukeela ka Ethiopia Lungo. O mundo está perdido.
  Fui pra casa com aquilo na cabeça. Entrei no site da Nespresso e passei o olho naquela viadagem toda: capsulas de café de mais 1436 cores. Cliquei primeiro no Kazaar:
"O Kazaar é um café de excepcional intensidade. Seu potente amargor e suas notas de pimenta são equilibrados por uma textura densa e cremosa. Intensidade: 12”.
   Fiquei impressionado. O café combinava exatamente com a personalidade da minha amiga, uma mulher equilibrada, mas de grande charme e densidade. E de uma intensidade que o Paulo Lima desconhecia.
  Cliquei no Bukeela ka Ethiopia Lungo:
   "O café de cada região é torrado separadamente: uma porção pequena e escura para garantir o corpo, a outra suave, mas longa para preservar as notas delicadas. Intensidade: 3”.
    Gelei. Era aquilo mesmo. Essa minha segunda amiga tinha uma suavidade desconcertante, um jeito delicado e encantador, mas não era propriamente uma mulher intensa.
    Agora toda vez que encontro uma mulher a primeira pergunta que eu faço é:
– Qual a sua cápsula favorita?