quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Para não esquecer jamais




quando grampearam criminosamente, vazaram ilegalmente, cercearam coercitivamente, você disse: normal, é a lavajato limpando o brasil.

quando depuseram a presidente sem nenhum crime cometido, você disse: normal, ela era incompetente, sem pensar que o que estava em jogo era a manutenção da democracia.

quando aceitaram delações de criminosos sem provas como moeda de troca, você disse: normal, precisamos acabar com o petê.

quando julgaram empresas e destruíram a indústria nacional da construção civil, levado por uma cultura de subordinação viralata, você disse: normal, os americanos são incorrompíveis.

quando tiraram os recursos para saúde e educação dos royalties do petróleo e congelaram esses investimentos por vinte anos, você disse: normal, o mercado se regula sozinho, eu tenho plano de saúde e escola particular, não sustento vagabundo.

quando julgaram e condenaram duas vezes o maior líder popular brasileiro, líder nas pesquisas para a eleição, apenas com convicções corporativistas de um tribunal de exceção, você disse: normal, alguma coisa ele fez.

quando censuraram exposições, desfiles, obras de arte e opinião, você disse: normal, esses artistas e intelectuais são uns comunistas infiltrados.

quando colocaram os tanques nas ruas com licença para matar negros e pobres, você disse: normal, a violência está insustentável, bandido bom é bandido morto.

olha, quando tirarem o seu emprego e a sua aposentadoria, quando sumirem com amigos e parentes seus, mesmo tendo sido, pelo andar da carruagem neo-escravagista, tudo muito óbvio e escancarado, você não poderá insistir em dizer que terá sido normal.

(na foto, a saudosa coragem da atriz vanja orico, foto: gervásio batista)