terça-feira, 2 de junho de 2026


 

Presta atenção na arquitetura da malandragem. Porque isso não é amadorismo. Isso é engenharia.


Passo um. Você é Secretário de Cultura. Tem R$ 1 milhão de verba pública na mão. Não pode simplesmente depositar no bolso. Precisa de um intermediário com CNPJ limpo, cara de gente séria, nome que não levante suspeita imediata.


Passo dois. Você escolhe uma ONG. Não qualquer ONG. A ONG de uma mulher que está produzindo o filme do seu chefe. Dark Horse. A cinebiografia de Bolsonaro. Ou seja, o dinheiro público vai pra quem já está prestando serviço político pro clã. É pagamento disfarçado de fomento cultural.


Passo três. O dinheiro entra na ONG. Até aqui parece normal. Verba pública, ONG, cultura. Quem vai questionar?


Passo quatro. R$ 700 mil saem da ONG imediatamente. Pra quem? Pra um empresário já denunciado por fraude em licitação. Esse cara não é novato. Ele já conhece o caminho. E pra uma empresa de funcionária do próprio Frias. Funcionária dele. Empresa dela. Dinheiro público.


Fecha o círculo.


O dinheiro saiu do governo, passou pela ONG, voltou pra órbita do próprio governo via pessoas ligadas a Frias.


Isso tem nome técnico. Chama lavagem. Chama desvio. Chama organização criminosa usando cultura como fachada.


E tem outro nome popular.


Rachadinha sofisticada.


Porque a rachadinha do Flávio era funcionário fantasma devolvendo salário. Isso aqui é ONG fantasma devolvendo verba. A lógica é idêntica. A escala é maior. A criatividade é maior. E a cara de pau é a mesma.


Agora a pergunta que queima.


Se Lula tivesse mandado R$ 1 milhão pra ONG da produtora do filme do PT, que repassou R$ 700 mil pra denunciado por fraude e pra empresa de funcionário do Lula, quantos palanques estariam pegando fogo agora?


Você sabe a resposta.


E é exatamente por isso que dói.

Nenhum comentário:

Postar um comentário