segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Vale a Leitura

Compartilho o belo texto de Augusto Mafuz que foi publicado na querida Tribuna do Paraná:



0/11/2012 às 07:46:23 - Atualizado em 30/11/2012 às 07:42:02

Retrocesso

O primeiro fato: Carlos Alberto Parreira foi o técnico que comandou a Seleção Brasileira no título da Copa do Mundo em 1994. De lá para cá se passaram 18 anos. Nada mais conseguiu. Ao contrário, entrou para a história do futebol mundial como o primeiro técnico ser demitido durante uma Copa do Mundo, como ocorreu em 1998, na França, quando dirigia a Seleção da Arábia Saudita.
O segundo fato: Luiz Felipe Scolari foi o técnico que comandou a Seleção Brasileira no título da Copa do Mundo em 2002. De lá para cá já se passaram 10 anos. Nada mais conseguiu. Ao contrário. No comando de Portugal, perdeu a Eurocopa em Lisboa para a inexpressiva Grécia. Nunca mais terminou um contrato: foi demitido do Chelsea, do Ubesquistão e do Palmeiras, a quem é atribuída responsabilidade direta pelo seu rebaixamento.
O terceiro fato: Felipão como técnico e Parreira como coordenador foram apresentados como os novos comandantes da Seleção Brasileira para a Copa das Confederações e a Copa do Mundo.
Associei os três fatos e lembrei-me do que Cristovão Tezza escreveu um dia desses na Gazeta do Povo. Ao tratar da situação do que conceitua de “carência brutal de infraestrutura”, o notável escritor resumiu: “Há uma dura sensação de que o país não anda em área nenhuma.”
Peço licença a Tezza para estender essa conclusão ao futebol. Já estamos em estado de retrocesso há muito tempo. O futebol brasileiro há anos vive em crise de autoridade por falta de postura ética, crise técnica, pois a geração de Ronaldo se aposentou e nenhuma outra surgiu. Neymar é um fato extraordinário completamente isolado da nossa realidade. No plano tático estamos paralisados desde que Telê Santana deixou o futebol. Nosso atraso é tão sentido, que passamos a escolher um jogo da Espanha ao do Brasil.
Felipão e Parreira foram escolhidos por exclusão. No futebol, o critério da exclusão se obriga a desconsiderar a capacidade. Utiliza de outros motivos, inclusive de conveniência, interesse e político. É a prova concreta do retrocesso do futebol brasileiro.
Placa
O estilo de Joelmir Beting era atraente, por que conservava o jornalismo irônico sem perder a seriedade. Era um jornalista tão fantástico, que afastava a monotonia dos temas econômicos. Uma das marcas de Beting foi impressa quando ainda era repórter esportivo do Jornal do Brasil. Ao não ter mais argumentos para descrever a beleza do gol em que Pelé driblou toda a defesa do Fluminense antes de vencer Castilho, no Maracanã, resumiu: “Foi um gol de placa”. E assim surgiu a expressão “gol de placa”, que foi adotada pelos modernos dicionários como sinônimo de um ato belo, formoso, inigualável

Nenhum comentário:

Postar um comentário